{"id":1281,"date":"2007-12-28T03:46:23","date_gmt":"2007-12-28T03:46:23","guid":{"rendered":"http:\/\/nasdat.com\/?p=1281"},"modified":"2007-12-28T03:46:23","modified_gmt":"2007-12-28T03:46:23","slug":"a-cruzada-guarani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nasdat.com\/?p=1281","title":{"rendered":"A CRUZADA GUARANI"},"content":{"rendered":"<p>A CRUZADA GUARANI<\/p>\n<p>&#8220;Singular e assombroso o destino de um povo como os Guarani!<br \/>\nMarginalizados e perif\u00e9ricos, nos obrigam a pensar sem fronteiras<br \/>\nTidos como parcialidades, desafiam a totalidade do sistema.<br \/>\nReduzidos, reclamam cada dia espa\u00e7os de liberdade sem limites<br \/>\nPequenos, exigem ser pensados com grandeza.<br \/>\nS\u00e3o aqueles primitivos cujo centro de gravita\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 no futuro.<br \/>\nMinorias, que est\u00e3o presentes na maior parte do mundo.&#8221;<br \/>\n(Bartomeu Meli\u00e1)<br \/>\nCom o objetivo de reivindicar o que se sup\u00f5e deveria ser na hist\u00f3ria o verdadeiro sentido da civiliza\u00e7\u00e3o guarani, surgiu, entre alguns escritores, uma corrente que inaugurou uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es pol\u00eamicas.<br \/>\nUma destas correntes, entende que pertence ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da ra\u00e7a guarani a invej\u00e1vel civiliza\u00e7\u00e3o dos astecas do M\u00e9xico e dos Incas do Peru e que todo esse monumento de gl\u00f3rias, criminosa e miseravelmente destru\u00eddo pelos espanh\u00f3is, foi roubado a essa fam\u00edlia ind\u00edgena.<br \/>\nObedecendo esta ordem de id\u00e9ias, concebe ela que os guaranis chegaram a fundar, nos demais recantos da Am\u00e9rica do Sul, uma consider\u00e1vel civiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana e que os europeus a destru\u00edram com tal habilidade que at\u00e9 os vest\u00edgios desapareceram.<br \/>\nA Grande Confedera\u00e7\u00e3o Guaran\u00edtica, compreendeu in\u00fameras na\u00e7\u00f5es esparramadas pelo Continente Sul Americano, sendo a capital dessa civiliza\u00e7\u00e3o uma grande cidade denominada &#8220;Mbaeveraguas\u00fa&#8221;. Imaginam os defensores dessa corrente, que os guaranis eram comunistas puros, organizados em Estado, com fei\u00e7\u00e3o altamente civilizada. Para eles a palavra &#8220;guarani&#8221;, tinha um sentido amplo e compreendia todos os ind\u00edgenas de mais da metade do continente americano, excluindo-se, algumas ra\u00e7as que reputavam inferiores, sem as qualidades que ornam o car\u00e1ter e a intelig\u00eancia das m\u00faltiplas na\u00e7\u00f5es guaranis.<br \/>\nH\u00e1 entretanto, algumas tribos, que n\u00e3o sendo guaranis, acomodaram-se aos costumes destes, em uma fus\u00e3o regular, sendo por isso mesmo seus parentes, ou vassalos, como aconteceu com os &#8220;Aruac\u00e1s&#8221;, que acompanharam os &#8220;Caraiv\u00e9s&#8221;, desde as Antilhas, como seus escravos.<br \/>\nPercebe-se portanto, que os guaranis correspondem ao homem sul-americano por excel\u00eancia.<br \/>\nCOMO TUDO COME\u00c7OU&#8230;<\/p>\n<p>Para nos assenhorarmos dos verdadeiros pendores que dominam a alma coletiva de t\u00e3o curiosa civiliza\u00e7\u00e3o, teremos que buscar recursos na hist\u00f3ria.<br \/>\nA Cruzada Guarani II<\/p>\n<p>A na\u00e7\u00e3o guarani \u00e0 luz do &#8220;descobrimento&#8221; conglomerava diversos povos. Com a chegada dos espanh\u00f3is (1537 em Assunci\u00f3n), foram diferentes as formas de contato e distintas as adapta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas-culturais da na\u00e7\u00e3o guarani. Podemos dividi-los a partir deste momento, em tr\u00eas grupos, ou tr\u00eas trajet\u00f3rias.<br \/>\n1. O ind\u00edgena que sofreu o impacto imediato do colonialismo. Encontramos aqui o \u00edndio &#8220;civilizado&#8221; e o escravo encomendado. Os \u00edndios civilizados, foram aqueles que lhes foi roubada a felicidade e convencidos \u00e0 for\u00e7a de que os donos da civiliza\u00e7\u00e3o era os europeus. Estes foram os que mais sofreram adapta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o \u00edndio encomendado, era aquele entregue ao espanhol para a catequese e convers\u00e3o. Doutrinavam os \u00edndios em troca da utiliza\u00e7\u00e3o de seu trabalho. Na verdade, tal troca, acobertava uma disfar\u00e7ada escravid\u00e3o. Desse grupo, sobraram muito poucos, pois conduzidos a um cativeiro deshumano, acabaram dizimados, pela intensidade do trabalho for\u00e7ado ou pelas in\u00fameras doen\u00e7as trazidas pelos conquistadores.<br \/>\n2. Os guaranis reduzidos ou missioneiros, que buscavam ref\u00fagio da sanha colonial nas redu\u00e7\u00f5es jesu\u00edticas. As redu\u00e7\u00f5es se constitu\u00edam em um Estado dentro do Estado. Neste aldeamentos fechados, os \u00edndios aprenderam of\u00edcios tornando-se artes\u00e3os, marceneiros, carpinteiros e m\u00fasicos, o que lhes permitiu dirigirem-se para os centros urbanos, como Montevid\u00e9u, Buenos Aires e Santa F\u00e9, ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas das col\u00f4nias ib\u00e9ricas.<br \/>\nNo inicio da civiliza\u00e7\u00e3o, os colonos sentiram a necessidade imprescind\u00edvel do aux\u00edlio do mission\u00e1rio para a pacifica\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Mas, aos poucos o homem branco, emancipou-se daquela depend\u00eancia e aliando-se com o mameluco, organizaram-se em bandeiras e, armados em verdadeiros ex\u00e9rcitos, passaram a ca\u00e7ar o \u00edndio, para explorar e corromper. Eram invenc\u00edveis, sobretudo em uma luta com mission\u00e1rios e \u00edndios inermes. Ao desejo de enriquecer aliava-se a sede de gl\u00f3ria, iniciando-se deste modo, um genoc\u00eddio. Poucos foram os que conseguiram bater em retirada, \u00fanico meio de fugir aquela amea\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o. Mas, mesmo experimentando grande regozijo de escapar \u00e0 sanha de seus agressores, tiveram os her\u00f3icos retirantes de enfrentar muitos perigos e sofrimentos durante a sua longa cruzada de fuga.<br \/>\nAlguns dirigiram-se para o Paraguai, onde o Guarani Paraguaio \u00e9 hoje falado por cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas; para a Bol\u00edvia, onde o Guarani Boliviano (ou Chiriguano) \u00e9 falado por cerca de 50 mil pessoas e para o norte da Argentina. Dos \u00edndios capturados, alguns tornaram-se escravos dos bandeirandes (s\u00e9c. XVIII) e outros tornaram-se empregados de fazendeiros brasileiros e paraguaios, que iniciaram a ocupa\u00e7\u00e3o destas terras com a extra\u00e7\u00e3o da erva-mate.<br \/>\n3. O terceiro grupo a salientar, \u00e9 o guarani que permaneceu fora do alcance da fome colonial, mantendo-se escondido nas densas florestas paraguaias. Os Caagu\u00e1 foi um grupo que logrou manter sua cultura quase que intacta. Dele descendem os Guarani Mbya, Chirip\u00e1 ou \u00d1andeva e os Paitvyter\u00e3 ou Kaiow\u00e1. Eles foram raramente visitados por algum viajante no s\u00e9culo XIX e conseguiram passar para o s\u00e9culo XX, sem interfer\u00eancias exteriores.<br \/>\nA ALMA GUARANI<\/p>\n<p>O guarani \u00e9 um indiv\u00edduo profundamente espiritual. Embora haja muitos sub-grupos, todos compartilham de uma religi\u00e3o que enfatiza a terra. O conceito de terra para eles est\u00e1 relacionada a id\u00e9ia de terra-sem-males, na concep\u00e7\u00e3o de &#8220;bem viver&#8221;, um lugar onde se vive o &#8220;teko&#8221; (jeito de ser). Ou seja, n\u00e3o concebem a terra em sua materialidade, mas a consideram como necess\u00e1ria para ser constru\u00edda e arada culturalmente.<br \/>\n.Seguindo mensagens de Nhander\u00fa, eles buscam o que acreditam ser a &#8220;Terra sem Males&#8221;, um lugar onde n\u00e3o falta ca\u00e7a, pesca e muita paz. A sua procura, localizada no imagin\u00e1rio dos Guarani, para al\u00e9m do Atl\u00e2ntico, por si s\u00f3, n\u00e3o minimiza as responsabilidades dos brancos sobre os poucos espa\u00e7os territoriais que sobraram para esses \u00edndios. A sua perambula\u00e7\u00e3o, organizados em pequenos grupos familiais, por estradas e rodovias do Sul e Sudeste do pa\u00eds, \u00e9 uma face tr\u00e1gica dessa di\u00e1spora.<br \/>\nPor uma terra sem males\u0094 \u00e9 o sugestivo lema da Campanha da Fraternidade 2002.<br \/>\nO MITO DA TERRA-SEM-MALES<\/p>\n<p>O grupo com o qual Nimuendaju (Curt Unkel, 1883-1945, etn\u00f3logo alem\u00e3o) teve contato, guardou em seu imagin\u00e1rio mitol\u00f3gico a imin\u00eancia da destrui\u00e7\u00e3o do mundo por um inc\u00eandio e um dil\u00favio e a entrada em uma terra onde n\u00e3o haveria mais sofrimento, nem morte.<br \/>\nConta este mito dos Guarani, &#8220;quando Nhanderuvu\u00e7u ( nosso grande Pai) resolveu acabar com a terra, devido \u00e0 maldade dos homens, avisou antecipadamente Guiraypoty, o grande paj\u00e9, e mandou que dan\u00e7asse. Esse obedeceu-lhe, passando toda a noite em dan\u00e7as rituais. E quando Guiraypoty terminou de dan\u00e7ar, Nhanderuvu\u00e7u retirou um dos esteios que sustentam a terra, provocando um inc\u00eandio devastador.<br \/>\nGuiraypoty, para fugir do perigo, partiu com sua fam\u00edlia para o Leste, em dire\u00e7\u00e3o ao mar. T\u00e3o r\u00e1pida foi a fuga, que n\u00e3o teve tempo de plantar nem de colher mandioca. Todos teriam morrido de fome, se n\u00e3o fosse o seu grande poder que fez com que o alimento surgisse durante a viagem. Quando alcan\u00e7aram o litoral, seu primeiro cuidado foi construir uma casa de t\u00e1buas, para que quando viessem as \u00e1guas, ela pudesse resistir. Terminada a constru\u00e7\u00e3o, retomaram a dan\u00e7a e o canto.<\/p>\n<p>O perigo tornava-se cada vez mais iminente, pois o mar, como que para apagar o grande inc\u00eandio, ia engolindo toda a terra. Quanto mais subiam as \u00e1guas, mais Guiraypoty e sua fam\u00edlia dan\u00e7avam.<\/p>\n<p>E para n\u00e3o serem tragados pela \u00e1gua, subiram no telhado de casa. Guiraypoty chorou, pois teve medo. Mas sua mulher lhe falou:<\/p>\n<p>&#8221; Se tens medo, meu pai, abre teus bra\u00e7os para que os p\u00e1ssaros que est\u00e3o passando possam pousar. Se eles sentarem no teu corpo, pede para nos levar para o alto.&#8221;<\/p>\n<p>E, mesmo em cima da casa, a mulher continuou batendo a taquara ritmadamente contra o esteio da casa, enquanto as \u00e1guas subiam.<\/p>\n<p>Guiraypoty entoou ent\u00e3o o nheengara\u00edm, o canto solene Guarani. Quando iam ser tragados pela \u00e1gua, a casa se moveu, girou, flutuou, subiu&#8230; subiu at\u00e9 chegar \u00e0 porta do c\u00e9u, onde ficaram morando.<\/p>\n<p>Esse lugar para onde foram chama-se YvY mar\u00e3 ei ( a &#8220;terra sem males&#8221;). A\u00ed as plantas nascem por si pr\u00f3prias, a mandioca j\u00e1 vem transformada em farinha e a ca\u00e7a chega morta aos p\u00e9s dos ca\u00e7adores. As pessoas nesse lugar n\u00e3o envelhecem e nem morrem, e a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 sofrimento.&#8221;<br \/>\nDurante diversos espa\u00e7os de tempo e de formas vari\u00e1veis, grupos guarani reviveram historicamente este mito. Relatado por Curt Nimuendaju (nome que significa &#8220;homem que abriu seu pr\u00f3prio caminho&#8221;), no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, os paj\u00e9s dos Guarani Apapocuva, buscaram a Terra-sem-mal no leste. Em todas as viagens apontadas para esta dire\u00e7\u00e3o, o mito se fez hist\u00f3ria.<br \/>\nA Terra-sem-mal era uma d\u00e1diva a ser encontrada, localizada \u00e0 leste, al\u00e9m do oceano e no alto.<br \/>\nTRAJET\u00d3RIA E OBJETIVO DA MIGRA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A causa do \u00eaxodo Guarani sempre foi a imperativa necessidade de encontrarem um lugar onde possam viver em seguran\u00e7a, segundo seu antigo modo de ser, ou seja, a busca da &#8220;Terra-sem-males&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os primeiros que abandonaram a sua p\u00e1tria, migrando para o leste foram os vizinhos meridionais dos Apapocuva: a horda dos Ta\u00f1ygu\u00e1, sob a lideran\u00e7a do paj\u00e9 chefe \u00d1anderyquyn\u00ed, que era temido feiticeiro. Subiram lentamente pela margem direita do Paran\u00e1, atravessando a regi\u00e3o dos Apapoc\u00fava, at\u00e9 chegar \u00e0 dos Oguau\u00edva, onde seu guia morreu. Seu sucessor, \u00d1anderu\u00ed, atravessou com a horda do Paran\u00e1 &#8211; sem canoas, como conta a lenda &#8211; , pouco abaixo da foz do Ivahy, subindo ent\u00e3o pela margem esquerda deste rio at\u00e9 a regi\u00e3o de Villa Rica, onde cruzando o Ivahy, passou-se para o Tibagy, que atravessou na regi\u00e3o de Morro Agudos.<br \/>\nRumando sempre em dire\u00e7\u00e3o ao leste, atravessou com seu grupo o rio das Cinzas e o Itarar\u00e9 at\u00e9 se deparar,finalmente com os povoados de Paranapitinga e Pescaria na cidade de Itapetinga, cujos primeiros colonos nada melhor souberam fazer que arrastar os rec\u00e9m-chegados a escravid\u00e3o. Eles por\u00e9m, conseguiram fugir, perseverando tenazmente em seu projeto original, n\u00e3o de volta para o oeste, mas para o sul, em dire\u00e7\u00e3o ao mar. Escondidos nos ermos das montanhas da Serra dos Itatins fixaram-se ent\u00e3o, a fim de se prepararem para a viagem milagrosa atrav\u00e9s do mar \u00e0 terra onde n\u00e3o mais se morre.&#8221;<br \/>\nOs Guarani Mbya, come\u00e7aram a chegar, ao que se sabe, a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Em 1921, Nimuendaju, na \u00e9poca funcion\u00e1rio da antigo SPI, teve a ventura de acompanhar de perto a migra\u00e7\u00e3o de um pequeno grupo Mbya rumo ao mar. Esta fant\u00e1stica experi\u00eancia n\u00e3o modificou apenas o modo desse antrop\u00f3logo alem\u00e3o encarar a sociedade Guarani, como a partir de ent\u00e3o, iria influenciar de maneira decisiva, o modo como a maioria dos antrop\u00f3logos passaria a ver os Guarani.<br \/>\nDizimados por doen\u00e7as e obcecados com a fuga da destrui\u00e7\u00e3o do mundo, Nimuendaju alcan\u00e7ou-os perto de Itanha\u00e9m\/SP. Quando chegaram ao litoral, termina sua viagem horizontal e hist\u00f3rica. Inicia-se ent\u00e3o a caminhada que deveria, atrav\u00e9s da dan\u00e7a, tomar um rumo vertical. Dan\u00e7aram tr\u00eas dias at\u00e9 a exaust\u00e3o e ent\u00e3o veio a terr\u00edvel decep\u00e7\u00e3o: o fracasso. &#8220;Havia ocorrido algum erro, que anulara toda a magia e que, fechara para sempre o caminho para o Al\u00e9m aos peregrinos&#8221;. A maioria dos Guarani convenceu-se que j\u00e1 n\u00e3o poderiam alcan\u00e7ar a &#8220;Terra-sem-mal&#8221;, pela falta de um instrumento e pela interpreta\u00e7\u00e3o incorreta do mito.<br \/>\nDepois partiram &#8220;na dire\u00e7\u00e3o do noroeste, convencidos de que a Terra-sem-mal se localizava, n\u00e3o al\u00e9m do oceano e sim no centro da Terra&#8221;. Segundo Egon Scahden, somente poderiam ir em sua busca, aqueles que guardavam intactas suas cren\u00e7as originais.<br \/>\nHoje existem &#8220;aqueles que acreditam que s\u00f3 sua alma retornar\u00e1 a Nhander\u00fa ret\u00e3.&#8221; Mas h\u00e1 ainda aqueles, que acreditam conseguir atravessar o oceano com corpo e alma e superando a prova da morte, serem testemunho da tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUma alucinada tentativa de alcan\u00e7ar a qualquer custo a Terra-sem-mal, pode ser observada entre os Guarani e Kaiow\u00e1 no Mato Grosso do Sul. Nos anos entre 1986 a 2000, 337 \u00edndios das \u00e1reas de Dourados, Amamba\u00ed, Caarap\u00f3, Porto Lindo e Takuapery, cometeram suic\u00eddio. A ampla espolia\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio f\u00edsico e espiritual e a falta de perspectiva de encontrarem a sua prometida terra-sem-mal, os levaram a depress\u00e3o profunda, o que concorreu para a concretiza\u00e7\u00e3o de t\u00e3o tr\u00e1gico fim.<br \/>\nNa utopia da Terra-sem-mal, o imediatismo hist\u00f3rico ficou frustrado.<br \/>\nEm busca da &#8220;Terra-sem-mal&#8221;, vivem hoje os Guarani, amea\u00e7ados do Mal sem Terra.<br \/>\nA batalha dos Guarani pela sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural continua nos dias atuais, no Paraguai, Argentina e Brasil (Maranh\u00e3o, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A luta pela demarca\u00e7\u00e3o ou reconquista de suas terras confundem-se com a recupera\u00e7\u00e3o de sua identidade \u00e9tnica.<br \/>\nOs Guarani somam hoje, aproximadamente, trinta mil pessoas em todo o territ\u00f3rio brasileiro.<br \/>\nCom esta pequena contribui\u00e7\u00e3o, viso despertar a curiosidade do leitor \u00e0 tudo que se refere \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o do \u00edndio sul-americano que at\u00e9 nossos dias permanece como objeto de acurado estudo. Enfatizo tamb\u00e9m, meu carinho e respeito pelas tradi\u00e7\u00f5es deste povo, guardando como rel\u00edquia preciosa tudo o que evoca sua hist\u00f3ria e anima a lembran\u00e7a de seus dias mais remotos.<\/p>\n<p>&#8220;America Amer\u00edndia,<br \/>\na\u00ednda na Paix\u00e3o:<br \/>\num dia tua Morte<br \/>\nter\u00e1 Ressurrei\u00e7\u00e3o!&#8221;<br \/>\nBibliografia consultada<br \/>\nC. Nimuendaju Unke. As Lendas de cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do mundo como fundamentos da religi\u00e3o dos Apapokura-Guarani. SP. 1987.<br \/>\nM. I. Queiroz &#8211; O Mito da terra sem males: uma utopia guarani?. Revista de Cultura Vozes. 67\/1 (1973)<br \/>\nM. Bartolomeu. El guarani: experi\u00eancia religiosa. Asunci\u00f3n. 1991<br \/>\nE. SCHADEN. Aspectos fundamentais da cultura guarani. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europ\u00e9ia do Livro, 1962.<\/p>\n<p>LA CRUZADA GUARANI<\/p>\n<p>&#8220;Singular y asombroso el destino de un pueblo como los Guarani!<br \/>\nMarginal izados\u00a0 y perif\u00e9ricos, obligan nosotros a pensar sin fronteras<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Son hechos como parcialidades, desaf\u00edan la totalidad del sistema.<br \/>\nReducidos, reclaman cada d\u00eda espacios de libertad sin limites<br \/>\nPeque\u00f1os, exigen ser pensados con grandeza.<br \/>\nSon aquellos primitivos cuyo centro de gravitaci\u00f3n\u00a0 ya est\u00e1 en lo futuro.<br \/>\nMinor\u00edas, que est\u00e1n presentes e n la mayor parte do mundo.&#8221;<br \/>\n(Bartomeu Meli\u00e1)<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Con el objetivo de reivindicar lo que por supuesto deber\u00eda ser en la historia lo verdadero sentido da civilizaci\u00f3n guarani, surg\u00eda, entre algunos escritores, una corriente que inaugur\u00f3 una serie de discusiones pol\u00e9micas.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Una de estas corrientes, entiende que pertenece al patrimonio hist\u00f3rico de la raza guarani a envidiable civilizaci\u00f3n de los aztecas do M\u00e9xico y de los Incas do Peru e que todo ese monumento de glorias, criminosa e miserablemente destruido pelos espa\u00f1oles, fue robado a esa familia ind\u00edgena.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Obedeciendo esta orden de ideas, concibe ella que los guaranis llegaran la fundar, en los dem\u00e1s\u00a0 hogares de la Am\u00e9rica del Sur, una considerable civilizaci\u00f3n pre-colombiana y que los europeos la destruir\u00e1n con tal habilidad que at\u00e9 los vestigios desaparecer\u00e1n.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>A Grande Confederaci\u00f3n\u00a0 Guaran\u00edtica, comprende innumeras naciones esparcidas pelo Continente Sur Americano, sendo a capital de esa civilizaci\u00f3n una grande ciudad denominada &#8220;Mbaeveraguas\u00fa&#8221;. Imaginan los defensores de esa corriente, que os guaranis eran comunistas puros, organizados en Estado, con fisonom\u00eda altamente civilizada. Para ellos la palabra &#8220;guarani&#8221;, tenia un sentido amplio y comprend\u00eda todos los ind\u00edgenas de mas de la mitad de lo continente americano, excluido-se, algunas razas que reputaban inferiores, sin las cualidades que ornan lo car\u00e1cter y la inteligencia de las m\u00faltiplas naciones guaranis.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Ha entretanto, algunas tribus, que no sendo guaranis, acomodaran-se a los costumbres de estos, en una fusion regular, sendo por eso mismo sus parientes, o vasallos, como acontece con los &#8220;Aruac\u00e1s&#8221;, que acompa\u00f1aran los &#8220;Caraiv\u00e9s&#8221;, desde las Antilhas, como sus esclavos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Percebe-se por tanto, que os guaranis corresponden al hombre sur-americano por excelencia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n<p>COMO TUDO COME\u00c7OU&#8230;<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Para que seamos ciertos de los verdaderos pendones que dominan la alma colectiva de tan curiosa civilizaci\u00f3n , tendremos que buscar recursos en la historia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n<p>La Cruzada Guarani II<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>La naci\u00f3n guarani a la luz de lo &#8220;descubrimiento&#8221; conglomeraba diversos pueblos. Con la llegada de los espa\u00f1oles (1537 en Asunci\u00f3n), fueran diferentes las formas de contacto e distintas as adaptaciones hist\u00f3ricas-culturales de la naci\u00f3n\u00a0 guarani. Podemos divid\u00ed-los a partir de este momento, en tres grupos, o tres trayectorias.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>1. Lo ind\u00edgena que sufre lo impacto inmediato do colonialismo. Encontramos aqu\u00ed lo indio &#8220;civilizado&#8221; y lo esclavo encomendado. Los indios civilizados, fueran aquellos que les fue robada la felicidad y convencidos a la fuerza de que los due\u00f1os de la civilizaci\u00f3n eran los europeos. Estos fueran los que mas sufrieran adaptaciones. Ya lo indio encomendado, era aquello entregue al espa\u00f1ol para la catequice y conversi\u00f3n. Doctrinaban los indios en cambio de la utilizaci\u00f3n\u00a0 de su trabajo. En la verdad, tal cambio, encubr\u00eda una disfrazada esclavitud. De eso grupo, sobraran mucho pocos, pos conducidos a un cautiverio deshumano, acabaran desapareciendo, por la intensidad de lo trabajo forzado o por las innumeras dolencias que ven\u00edan por los conquistadores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n<p>2. Los guaranis reducidos o misioneros, que buscaban refugio da sa\u00f1a colonial en las reducciones jesu\u00edticas. As reducciones se constitu\u00edan en un Estado adentro de lo Estado. En estas aldea cerradas, los indios aprender\u00e1n oficios tornando-se artesanos, mercenaria, carpinteros e m\u00fasicos, o que les permit\u00eda dirigieren-se para los centros urbanos, como Montevideo, Buenos Aires e Santa Fe, despu\u00e9s a expulsi\u00f3n de los jesuitas de las colonias ib\u00e9ricas.<br \/>\nNo inicio da civilizaci\u00f3n, los colonos sentir\u00e1n la necesidad imprescindible del auxilio del misionero para la pacificaci\u00f3n ind\u00edgena. Mas, al los\u00a0 pocos lo hombre blanco, emancipo-se de aquella dependencia y aliando-se con o mameluco, organizaran-se en banderas y, armados en verdaderos ej\u00e9rcitos, pasaran a cazar lo indio, para explorar e corromper. Eran invencibles, sobretodo en una lucha con misioneros e indios inermes. Al deseo de enriquecer aliaba-se a sede de gloria, iniciando-se de este modo, un genocidio. Pocos fueran los que conseguir\u00e1n huir en retirada, \u00fanico meo de huir de aquella amenaza de destrucci\u00f3n. Mas, mismo experimentando grande regocijo de escapar a la sa\u00f1a de sus agresores, tuvieran los heroicos retirantes (huidos) de enfrentar muchos peligros y sufrimientos durante la su longa cruzada de fuga.<br \/>\nAlgunos dirigir\u00e1n-se para o Paraguay, donde lo Guarani Paraguayo es hoy hablado por cerca de 3 millones de personas; para a Bolivia, donde lo Guarani Boliviano (o Chiriguano) es hablado por cerca de 50 mil personas y para lo norte da Argentina. De los indios capturados, algunos tornaran-se esclavos de los bandeirantes (s\u00e9c. XVIII) y otros tornaran-se empleados de estancieros brasileros y paraguayos, que iniciaran la ocupaci\u00f3n de estas tierras con la extracci\u00f3n de la hierba-mate.<br \/>\n3. Lo tercero grupo, es l guarani que permaneci\u00f3 fuera del alcance de la hambre colonial, mantenido-se escondido en las densas florestas paraguayas. Os Caagu\u00e1 fue un grupo que logro mantener su cultura cuaje que intacta. De ello descienden los Guarani Mbya, Chirip\u00e1 ou \u00d1andeva e os Paitvyter\u00e3 ou Kaiow\u00e1. Ellos fueran raramente visitados por alguno viajante en lo siglo XIX e conseguir\u00e1n pasar para el siglo XX, sin interferencias exteriores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n<p>LA ALMA GUARANI<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Lo guarani es un individuo profundamente espiritual. Todav\u00eda aja muchos sub.-grupos, todos comparten de una religi\u00f3n que enfatiza la tierra. Lo concepto de tierra para ellos esta relacionada la idea de tierra-sin-males, en la concepci\u00f3n de &#8220;bien vivir&#8221;, un lugar donde se vive o &#8220;teko&#8221; (jeito de ser). O sea, no conciben la tierra en su materialidad, mas la consideran como necesaria para ser construida e arada culturalmente.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Seguido las mensajes de Nhander\u00fa, ellos buscan lo que acreditan ser a &#8220;Tierra sin Males&#8221;, un lugar donde no falta caza, pesca e mucha paz. La su procura, localizada no imaginario de los Guarani, para all\u00e1 de lo Atl\u00e1ntico, por si solo, no minimiza las responsabilidades dos blancos sobre los pocos espacios territoriales que sobraran para estos indios. La su perambula\u00e7\u00e3o (andar sin rumo), organizados en peque\u00f1os grupos familiares, por estradas del Sur e Sudeste del pa\u00eds, es una faz tr\u00e1gica de esa di\u00e1spora.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Por una tierra sin males\u0094 \u00e9 o sugestivo lema da Campa\u00f1a de la Fraternidad en 2002.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>El MITO DA TERRA-SEM-MALES<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>O grupo con lo cual Nimuendaju (Curt Unkel, 1883-1945, etn\u00f3logo alem\u00e1n) tuve contacto, guard\u00f3 en su imaginario mitol\u00f3gico la inminencia de la destrucci\u00f3n\u00a0 de lo mundo por un incendio y un diluvio y la entrada en una tierra donde no tener\u00eda mas sufrimiento, ni muerte.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Cuenta esto mito de los Guarani, &#8220;cuando Nhanderuvu\u00e7u ( nuestro grande Padre) resolved acabar con la tierra, debido a la maldad de los hombres, aviso anticipadamente Guiraypoty, lo grande paje, y mando que danzase. Ese obedece-le, pasando toda la noche en danzas rituales. Y cuando Guiraypoty termin\u00f3 de danzar, Nhanderuvu\u00e7u retiro un de los amparos que sustentan la tierra, provocando un incendio devastador.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Guiraypoty, para huir del peligro, parti\u00f3 con su familia para o Leste, en direcci\u00f3n al mar. Tan r\u00e1pida fue la fuga, que no tuve tiempo de plantar mandioca. Todos tendr\u00edan muertos de hambre, si no fuera su grande poder que hizo con que lo alimento surgirse durante la viajen. Cuando alcanzaran lo litoral, su primero cuidado fue construir una casa de tablas, para que cuando viesen las aguas, ella pudiese resistir. Terminada la construcci\u00f3n, retomaran la danza y lo canto.<\/p>\n<p>Lo peligro tornaba-se cada vez mas inminente, pos lo mar, como que para apagar lo grande incendio, ya engullendo toda la tierra. Cuanto m\u00e1s sub\u00edan las aguas, m\u00e1s Guiraypoty y su familia danzaban.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>E para no ser tragados por la agua, subir\u00e1n no tejado de\u00a0 la casa. Guiraypoty llor\u00f3, pos tuve medo. Mas su mujer le hablou:<\/p>\n<p>&#8221; Se tienes medo, m\u00ed padre, abre tus brazos para que los p\u00e1jaros que est\u00e1n pasando posan posar. Se ellos sentaren en tu cuerpo, pede para nos levar para o alto.&#8221;<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Y, mismo en cima da casa, la mujer continu\u00f3 batiendo la taquara (bamb\u00fa)\u00a0 ritmadamente contra el amparo de la casa, en cuanto las aguas sub\u00edan.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Guiraypoty cant\u00f3 entonces lo nheengara\u00edm, lo canto Guarani. Cuando ser\u00edan tragados por la agua, la casa se mueve,\u00a0 da giros, fluct\u00faa , sube&#8230; sube at\u00e9 llegar a la porta del cielo, donde quedaran morando.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Esto lugar para donde fueran llama-se YvY mar\u00e3 ei ( la &#8220;tierra sin males&#8221;). Ah\u00ed las plantas nacen por si propias, la mandioca ya viene transformada en harina y la caza llega muerta al los pies de los cazadores. Las personas en ese lugar no envejecen\u00a0 y ni mueren, y ah\u00ed no hay sufrimiento.&#8221;<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Durante diversos espacios de tempo y de formas variables, grupos guarani revivir\u00e1n hist\u00f3ricamente esto mito. Relatado por Curt Nimuendaju (nombre que significa &#8220;hombre que abre su propio camino&#8221;), no inicio d e lo siglo XX, los pajes dos Guarani Apapocuva, buscaran la Tierra-sin-mal no leste. En todas las viajen apuntadas para esta direcci\u00f3n, lo mito se hizo historia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>La Tierra-sin-males era una d\u00e1diva a ser encontrada, localizada \u00e0 leste, despu\u00e9s de lo oc\u00e9ano e no alto.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n<p>TRAJET\u00d3RIA E OBJETIVO DA MIGRA\u00c7\u00c3O<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>La causa do \u00e9xodo Guarani siempre fue la imperativa necesidad de encontraren un lugar donde posan vivir con seguridad, segundo su antiguo modo de ser, o sea, la busca da &#8220;Tierra-sin-males&#8221;. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p>&#8220;Los primeros que abandonaran su patria, migrando para o leste fueran los vecinos meridional dos Apapocuva: la horda dos Ta\u00f1ygu\u00e1, liderados por paje \u00d1anderyquyn\u00ed, que era temido hechicero. Subir\u00e1n lentamente pela margen directa do Paran\u00e1, atravesando la regi\u00f3n de los Apapoc\u00fava, at\u00e9 llegar a la de los Oguau\u00edva, donde su gu\u00eda muere. Su sucesor, \u00d1anderu\u00ed, atraves\u00f3 con la horda do Paran\u00e1 &#8211; sin canoas, como cuenta la leyenda &#8211; , poco abajo da foz do Ivahy, subiendo entonces por la margen izquierda de este r\u00edo at\u00e9 la regi\u00f3n de Villa Rica, donde cruzando lo Ivahy, pas\u00f3-se para o Tibagy, que atraves\u00f3 en la regi\u00f3n de Morro Agudos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Rumo siempre en direcci\u00f3n al leste, atraves\u00f3 con su grupo o r\u00edo das Cinzas y lo Itarar\u00e9 at\u00e9 se deparar, finalmente con los pueblos de Paranapitinga y Pescaria en la ciudad de Itapetinga, cuyos primeros colonos nada mejor subieran hacer que arrastrar los recen-llegados a esclavitud. Ellos pero, conseguir\u00e1n huir, perseverando tenazmente en su proyecto original, no de vuelta para lo oeste, mas para lo sur, en direcci\u00f3n al mar. Escondidos en las monta\u00f1as da Serra dos Itatins quedaran-se entonces, a fin de se prepararen para la viajen milagrosa a trav\u00e9s do mar a la tierra donde no mas se muere.&#8221;<br \/>\nLos Guarani Mbya, comenzaran\u00a0 a llegar, al que se sabe, a partir do inicio do siglo XX. En 1921, Nimuendaju, en la \u00e9poca funcionario de la antiguo SPI, tuve la ventura de acompa\u00f1ar la migraci\u00f3n de un peque\u00f1o grupo Mbya rumo al mar. Esta fant\u00e1stica experiencia no modifico apenas o modo de esto antrop\u00f3logo alem\u00e1n encarar la sociedad Guarani, como a partir de entonces, ir\u00eda influenciar de manera decisiva, o modo como la mayor\u00eda de los antrop\u00f3logos pasar\u00eda a ver los Guarani.<br \/>\nReducidos a pocos por dolencias y obcecados con la fuga de la destrucci\u00f3n del mundo, Nimuendaju alcanzo-os pr\u00f3ximo\u00a0 de Itanha\u00e9m\/SP. Cuando llegaran al litoral, termina su viajen horizontal e hist\u00f3rica. Inicia-se entonces la caminada que deber\u00eda, a trav\u00e9s de la danza, tomar un rumo vertical. Danzaran tres d\u00edas at\u00e9 a exhaustazo y entonces venia la terrible decepci\u00f3n o fracaso. &#8220;havia ocurrido alg\u00fan erro, que anulara toda a magia e que, fechara para siempre lo camino para o adem\u00e1s de los peregrinos&#8221;. La mayor\u00eda de los Guarani convence-se que ya no podr\u00edan alcanzar la &#8220;Tierra-sin-mal&#8221;, pela falta de un instrumento e pela interpretaci\u00f3n incorrecta do mito.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Despu\u00e9s partir\u00e1n &#8220;en la direcci\u00f3n do noroeste, convencidos de que la Tierra-sin-males se localizaba, no despu\u00e9s do oc\u00e9ano e si en lo centro de la Tierra&#8221;. Segundo Egon Scahden, solamente podr\u00edan ir en su busca, aquellos que guardaban intactas sus creencias origin\u00e1is.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Hoy existen &#8220;aquellos que acreditan que solo su alma retornar\u00e1 a Nhander\u00fa ret\u00e3.&#8221; Mas hay aquellos, que acreditan conseguir atravesar lo oc\u00e9ano con cuerpo y alma y superando la proba de la muerte, ser testigo de la tradici\u00f3n.<br \/>\nUna alucinada tentativa de alcanzar a cualquier costo la Tierra-sin-males, pode ser observada entre os Guarani e Kaiow\u00e1 no Mato Grosso do Sul. Nos anos entre 1986 a 2000, 337 indios de las \u00e1reas de Dourados, Amamba\u00ed, Caarap\u00f3, Porto Lindo e Takuapery, cometieron\u00a0 suicidio. La amplia expoliaci\u00f3n de su territorio f\u00edsico e espiritual e a falta de perspectiva de encontraren a su prometida tierra-sin-males, los levaran la depresi\u00f3n\u00a0 profunda, o que lev\u00f3 para a concretizaci\u00f3n\u00a0 de tan tr\u00e1gico fin.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>En la utop\u00eda de la Tierra-sin-males, lo inmediato\u00a0 hist\u00f3rico qued\u00f3 frustrado.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>En busca da &#8220;Tierra-sin-males&#8221;, viven hoy los Guarani, amenazados do Mal sin Tierra.<br \/>\nLa batalla de los Guarani pela sobre vivencia f\u00edsica e cultural continua nos d\u00edas actu\u00e1is, no Paraguai, Argentina e Brasil (Maranh\u00e3o, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). La lucha pela demarcaci\u00f3n o reconquista de sus tierras confunden-se con la recuperaci\u00f3n de su identidad \u00e9tnica.<br \/>\nLos Guarani soma hoy, aproximadamente, treinta mil personas en todo o territorio brasilero. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Con esta peque\u00f1a contribuci\u00f3n, viso despertar la curiosidad do lector a la todo que se refiere a la civilizaci\u00f3n de lo indio sur-americano que at\u00e9 nuestros d\u00edas permanece como objeto de estudio. Enfatizo tamben, m\u00edo cari\u00f1o y respecto pelas tradiciones de este pueblo, guardando como reliquia preciosa todo lo que evoca su historia e anima el recuerdo de sus d\u00edas mas remotos. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p>&#8220;America Amer\u00edndia, a\u00ednda na Paix\u00e3o: um dia tua Morte ter\u00e1 Ressurrei\u00e7\u00e3o!&#8221; <o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Bibliografia consultada<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>C. Nimuendaju Unke. As Lendas de cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do mundo como fundamentos da religi\u00e3o dos Apapokura-Guarani. SP. 1987.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>M. I. Queiroz &#8211; O Mito da terra sem males: uma utopia guarani?. Revista de Cultura Vozes. 67\/1 (1973)<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>M. Bartolomeu. El guarani: experi\u00eancia religiosa. Asunci\u00f3n. 1991<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>E. SCHADEN. Aspectos fundamentais da cultura guarani. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europ\u00e9ia do Livro, 1962.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p> <\/o:p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CRUZADA GUARANI &#8220;Singular e assombroso o destino de um povo como os Guarani! Marginalizados e perif\u00e9ricos, nos obrigam a pensar sem fronteiras Tidos como parcialidades, desafiam a totalidade do sistema. Reduzidos, reclamam cada dia espa\u00e7os de liberdade sem limites Pequenos, exigem ser pensados com grandeza. S\u00e3o aqueles primitivos cujo centro de gravita\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 no futuro. Minorias, que est\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resistencia-indigena-y-asuntos-actuales-en-america"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nasdat.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}